01/09/2016

PALAVRAS DE UMA SELVAGEM CAPITÃO CAVERNA



A religião é o antídoto, a amarra, o engessamento, o enforcamento para que as mulheres não sigam seus instintos. A mulher que se expõe é sem vergonha, despudorada, oferecida, imoral, sem escrúpulos, sem limites; ou seja, ela é sem fôrma, sem doutrinas, sem adestramento.

A mulher é condicionada a usar os cabelos para se ocultar ou se exibir, se ofertar. Estou na fase de não querer usar máscaras, nenhuma máscara, começando pelo cabelo; parei de pintar o cabelo, parei de mascará-lo, mostrando algo que não sou. Sempre tive cabelos brancos, nem sei quando apareceu o primeiro, aos 10 anos, aos 15 metade dos cabelos já eram brancos. Meu ser interior me pede para ser real, verdadeira.

A mulher está perdendo completamente a originalidade do seu exterior, porque o interior dela já foi arrancado. Uma mulher que faz tantas plásticas, há muito tempo que já não sabe quem ela verdadeiramente é. Aquelas que se negam a entrar neste padrão são chamadas de rebeldes e selvagens.

Sempre tive apelidos ligados à selvageria, o que nunca esqueci foi do Capitão Caverna. A tal reputação equivocada me persegue. Já fui uma MULHER SELVAGEM, com percepção aguçada, um espírito brincalhão, com uma elevada capacidade para a devoção, curiosa, resistente, forte, intuitiva, zelosa com minhas crias  numa determinação feroz e um extremo coração.

Já caminhei entre raios e relâmpagos, debaixo de tempestades, gritando ou chorando, sempre lutando; às vezes penso que cansei de lutar, não é verdade, não sei viver sem lutar.

Sou estranha, sempre me senti esquisita, um ser fora do contexto, fora de toda realidade que eu vivia. Uma eterna observadora da realidade que me cercava, desde antes de completar um ano de idade.

Tentei criar uma realidade para ver se me sentiria diferente. Resolvi ser mãe. A gravidez foi a coisa mais estranha que me aconteceu, cada uma delas; em todos os sentidos eu me sentia esquisita... como um animal carregando um filhote que está prestes a nascer sem as frescuras e os frufrus. O parto foi entorpecido, os 3, um horror; a amamentação odiei, não gostei. 

Me livrei da mesa de trabalho, dos relacionamentos, esvaziei minha mente, virei uma nova página e nada tenho para escrever. Rompi com tudo e com todos, desobedeci todas as regras, parei o mundo,  parei com o mundo.

Fui avisada em sonhos. Depois que rasguei as agendas voltei a sonhar com relacionamentos. As histórias escritas nas agendas trouxeram um peso muito grande sobre mim. Me deu um sonho em que eu ministrava o perdão sobre o passado na vida de alguém que eu estava conversando, um homem do meu passado.

Esse sonho me levou a rasgar as agendas, cada página escrita, queria queimá-las, temi pelo clima seco, então rasguei tudo e me senti livre quando coloquei tudo no container.

Tive que romper com o passado, largar tudo o que é obsoleto, não aceito imposição do mal, viver de poeira, comer migalhas que cai da mesa, raspas e restos não me interessam.

Quero sentar à mesa em boa companhia e me alimentar do melhor com integridade, novas visões. Não abro mão do que sempre fui: uma Mulher Selvagem, Capitão Caverna com direito a grito de guerra.

Volto a cantar e o canto enche meus ossos de vida. Como Ezequiel orou sobre o vale de ossos secos e os ossos se encheram de carne, ficaram em pé e formaram um grandioso exército. Meu canto é meu grito de guerra de volta pra vida.

Dispo todo manto falso que tiver recebido seja lá de quem for, rejeito, não aceito, tal manto não é meu, não me pertence, assim me dispo dele, de todo manto falso. Como está escrito no livro de Judas: "aborrecei até a roupa manchada de carne."

Ezequiel 37
1 Veio sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos.
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