21/09/2016

PALAVRAS de Paulo De Mattos Skromov em junho/2013

PALAVRAS de Paulo De Mattos Skromov em junho/2013 

Eis que aparece a verdade nua e crua. Hoje sou aposentado e me mudei para o interior, mas desde meados dos anos 60, como dirigente sindical, eu ajudei a organizar manifestações populares nas ruas e praças da Paulicéia.
E fomos aprendendo duramente que era impossível e até mesmo irresponsável sair as ruas sem estarmos preparados para proteger os manifestantes comuns e sinceros dos grupos de extrema direita que sempre procuravam se infiltrar e que agiam como elementos provocadores em conluio com a Polícia, na época sobretudo em conluio com a polícia política da ditadura militar - o DOPS.
Alguns desses militantes, inclusive eram simultaneamente militantes da Ação Integralista, dos chamados Águias Brancas - a Juventude Integralista, da Tradição Família e Propriedade, do comando de Caça aos Comunistas, etc.
Era o lado sombrio e de bastidores das manifestações por que não nos interessava delatar publicamente esses infiltrados para não assustar os manifestantes populares.
Em 1968 esse pessoal invadiu um Teatro em São Paulo a mão armada, desnudou os artistas entre os quais a atriz Marília Pêra e todo o grupo teatral da peça, humilhando-os e aterrorizando a platéia.
Mais tarde, quando voltaram as grandes manifestações sindicais, a das Diretas Já e por fim, em 1992, as pelo Impeachment, o perfil desses grupos mudara muito pouco.
Agora existiam grupos neo-nazistas como os autodenominados "Carecas do ABC", e os "Skinheads". Contra eles os companheiros organizadores das manifestações travamos confrontos físicos duríssimos, visando anular sua ação provocadora.
Por toda essa experiência acumulada posso afirmar a verossimilhança do relato do rapaz acima.
"Paulo Skromov, ex-presidente do Sindicato dos trabalhadores na área do couro, fundador do PT nacional, é sem sombra de dúvidas uma autoridade abalizada para falar destas questões, pois sofreu na pele, como tantos outros, as conseqüências de lutar contra autoritarismos que começaram com manifestações como estas e acabaram na ditadura militar.

Parabéns Paulo, pela sua luta passada e pelo vigor sempre presente." Willian Antonio Zanolli 
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