23/04/2010

QUERO FRÁTRIA, PRECISO AMAR de Gláucia Neguinha

“A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria.”
Alguns versos da letra da música: LÍNGUA de Caetano Velozo.
“…da família à cidade , passando pela gens e pela fratria, do Lar doméstico ao Lar comum, e esta visão da cidade como uma igreja;…”
Umas palavras do comentário que François Hartog fez do livro A CIDADE ANTIGA de Fustel de Coulages
Quem conhece as duas obras, pode dizer que é muita audácia, insulto, ou verdadeira ignorância comparar as duas obras.
A “língua” não é um objeto estático, parado no tempo; mas é uma variante, que a medida que o tempo passa…
Melhor ou pior, à medida em que a mensagem vai sendo transmitida, a língua vai sendo transformada.
A brincadeira irônica do Caetano Velozo com a letra da música define bem a trajetória do uso da língua no Brasil.
Uma língua que define bem a pátria chamada Brasil, um país de dimensão continental, ou quase; uma língua pátria.
Mas não é a mesma língua para todos, pois o que vale para uns, não vale para outros.
Alguém já ouviu a mal falada frase: “Você sabe com quem você está falando?
Isso não é uma pátria, o Brasil não é uma Pátria; é uma mátria que dá sambódromo, futebol, subemprego; uma mãe nada gentil.
Segundo algumas palavras do comentário de François Hartog, os povos passaram pela gens e pela fratria.
Passaram do lar doméstico, ao lar comum, constituindo a família, formando a cidade, cheia de usos, tradições e costumes processados em igreja. 
É aqui que se misturam os dois textos, pois com o passar dos séculos a igreja vira uma torre, várias torres, imensas “babéis”, cada uma com a sua “Língua.”