09/08/2009

DÍZIMO – O Engano Cavalgando a Verdade




Venefredo Barbosa Vilar


Conversa ao pé do ouvido

Sem querer ser muito chato, mas já sendo um pouquinho, quero falar sobre o dízimo, porque apesar de algumas pessoas terem lido meu livrete DÍZIMO – O engano cavalgando a verdade (pelo menos elas dizem que leram), ainda não conseguiram assimilar as verdades nele expostas. E como diz o macaco Simão*, para que não fiquem com cara de égua puxando carroça, vou falar mais umas coisinhas sobre esse assunto polêmico. Você já viu égua puxando carroça? Ela só enxerga o que vem pela frente. Nada de lado. Nada do contexto!

Você deve saber que no Novo Testamento não há instruções sobre o dízimo. Ou seja, o que dizimar, como separar o dízimo, onde comer o dízimo, a quem entregar o dízimo, etc. Somente no Velho Testamento.
Vou usar a Bíblia Tradução na Linguagem de Hoje. Vamos lá:

1 – A primeira menção do dízimo está em Gênesis 14:20. Mas aí temos apenas a notícia de que “Abrão deu a Melquisedeque a décima parte de tudo o que havia trazido de volta.” Não se trata de preceito, ordenança, mandamento. Foi uma atitude voluntária de Abrão. E esse dízimo nem saiu da sua rica fazenda. Era do espólio de guerra, e que ele nem quis para si.

2- A segunda menção está em Gênesis 28:22: Jacó fez um voto, também voluntário: “... e eu te entregarei a décima parte de tudo quanto me deres”.

Esse é um voto de Jacó, não seu! Não é preceito, não é ordenança, não é mandamento sobre o dízimo. É um compromisso de Jacó. Não é uma palavra que veio de Deus para ele. É palavra dele para Deus.

3- A terceira menção está em Levítico 27:30 a 33. Aí a coisa muda de figura. Embora não seja propriamente um preceito, ou ordenança, ou mandamento, é uma solene declaração aos israelitas de que “A décima parte das colheitas, tanto dos cereais como das frutas, pertence ao Deus Eterno e será dada a ele”. “De cada dez animais domésticos um pertence ao Deus Eterno. Quando o dono contar o seu gado e as suas ovelhas e cabras, cada décimo animal pertencerá ao Eterno, qualquer que seja a condição do animal”.

4 – A quarta menção está em Números 18:21. Também é uma declaração, uma instrução: “O Eterno disse: Eu dou aos levitas todos os dízimos que o povo de Israel me oferece. Isso é o pagamento pelo serviço de cuidar da Tenda Sagrada”.

E no verso 25, há mais uma instrução: “O Deus Eterno ordenou a Moisés que dissesse aos levitas o seguinte: Quando receberem dos israelitas os dízimos que Deus lhes dá para serem de vocês, vocês darão a décima parte desses dízimos como oferta especial a Deus. Essa oferta especial é como se fosse a oferta que o fazendeiro faz do primeiro cereal e do primeiro vinho. Assim, de todos os dízimos que receberem dos israelitas, vocês darão também uma oferta especial que pertence ao Deus Eterno. Vocês deverão entregá-la ao sacerdote Arão”. Essa oferta é chamada de dízimo dos dízimos.

5 – Agora, veja Deuteronômio 12:1: “Moisés disse ao povo: São estas as leis e os mandamentos a que vocês deverão obedecer todo o tempo que viverem na terra que o Eterno, o Deus dos nosso antepassados, vai dar a vocês”. E mais: Deuteronômio 12:5: “No território de uma das tribos o Deus Eterno escolherá o lugar onde vai morar e onde o povo o vai adorar. Vocês irão lá e ali oferecerão em sacrifício os animais que são queimados no altar e também apresentarão outros sacrifícios. Para esse lugar trarão a décima parte dos animais e das colheitas, as contribuições, as ofertas prometidas, as ofertas feitas de livre e espontânea vontade e as primeiras crias das vacas e das ovelhas”.

6 – Agora, vamos ao capítulo 14 de Deuteronômio. Verso 22: “Todos os anos juntem uma décima parte de todas as colheitas e levem até o lugar que o Eterno, o nosso Deus, tiver escolhido para nele ser adorado. Ali, na presença do Eterno, o nosso Deus, comam aquela décima parte dos cereais, do vinho e do azeite e também as primeiras cria das vacas e das ovelhas. Façam isso para aprenderem a temer a Deus para sempre. Mas, se o lugar de adoração ficar muito longe, e for impossível levar até lá a décima parte das colheitas com Deus os abençoou, então façam isto: vendam aquela parte das colheitas, levem o dinheiro até o lugar de adoração que o Deus Eterno tiver escolhido e ali comprem tudo o que quiserem comer: carne de vaca ou de carneiro, vinho, cerveja ou qualquer outra coisa que desejarem. E ali, na presença do Eterno, o nosso Deus, vocês e as suas famílias comam essas coisas e se divirtam à vontade”.

7 – Mais uma coisinha. Veja Deuteronômio 26:12 a 15. Nem vou transcrever. Leia com vagar.

Agora, pregadores do dízimo, digam com toda honestidade, vocês têm ensinado isso aos seus seguidores? Ou ficam jogando Malaquias 3: 8 a 10 e as maldições sobre eles?

E, por favor, não me xinguem mais. Não fui eu quem deu essas instruções! Apenas estou lembrando vocês. E se estou errado, é porque não passo mesmo de um burro puxando carroça!

Venefredo
(Chamado por alguns pregadores do dízimo de falso profeta, herege, impostor, incrédulo, louco, pregador do cão, etc., etc., etc.)

*Macaco Simão: José Simão, jornalista da Folha de São Paulo.
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